Bom, fui demitida mais uma vez e, apesar de estar fazendo um freela, ainda está doendo.
Minha primeira demissão foi em 2001 ou 2002, não me lembro
bem, quando eu era “estagiária” da Ace Assessoria de Comunicação (aspas porque
eu estava longe de ser estagiária. Trabalhava o dia todo, ia a todas as pautas
com o meu carro, era bem legal). Eu não podia ser demitida de jeito nenhum na
época porque lá em casa estávamos passando por uma crise horrorosa e qualquer
real era mais que apreciado. Não me lembro bem porque eu fui demitida, era algo
como falta de brilho no olho (eu viria a ouvir isso outras inúmeras vezes) com
falta de comprometimento e eu rodei. Foi bem ruim, dei a notícia em casa e meu
pai chorou junto comigo, corri atrás feito doida de outro estágio/qualquer
outra forma de renda enquanto, na paralela, fui vendendo revista velha na cia
de reciclagem (prá ganhar menos de 10 reais), o computador velho (prá ganhar 50
reais), enfim, tempos dos quais não sinto a menor saudade. Era voltar prá casa
e ter uma surpresa: uma dívida nova que chegou, a luz que foi cortada, a
preocupação perene do meu pai cometer suicídio.
Um ano se passou, mais um pouco, acho, e fui demitida do
outro estágio. Aí era porque eu estava me formando e as sócias decidiram não
efetivar nem a mim nem a Elaine, a outra estagiária. A gente dava o couro por
lá. Eu não liguei muito porque eu tinha um outro estágio junto, na Globo, era
ano de formatura e eu não via a hora de ir embora de Juiz de Fora. Claro que o
dinheiro fez falta, mais uma vez, mas não me desesperei que nem da outra.
Aí anos se passam, eu já tava me achando uma profissional
competente, eu já estava em São Paulo quando a terceira demissão acontece. Essa
foi perfeitamente compreensível, só o acordo financeiro que não. Eu estava
super relapsa no trabalho, não conseguia ir, estava passando por um turbilhão
na minha vida: morte do meu pai que me tirou completamente do eixo, pé na bunda
que não curava, eu acordava e não queria sair da cama... meu chefe aguentou foi
muito. O ruim é que ele foi meio sovina e só me pagou pelos dias trabalhados
naquele mês, não tive acordo nem contrapartida financeira alguma. Minha sorte
foi que 2 semanas depois consegui outro emprego.
Dois anos se passaram, eu estava bem lá na firma, até que o
monstro da depressão se apossou de mim mais uma vez e, para não acontecer que
nem da outra, avisei ao meu chefe e à minha subordinada. Pior erro da minha
vida. Colocaram outra pessoa no meu lugar, desequilibradíssima e que ficava se
comparando a mim (eu era só deprê, essa pessoa era incapaz diagnosticada, fazia
merda atrás de merda e ninguém via). Eu fiz uma cagada também, que manchou
minha reputação, aí tudo que eu fazia eu era monitorada, julgada, achincalhada,
até que essa pessoa conseguiu me demitir. Um mês depois, ele também foi
demitido. Fiquei mal por duas vezes: por todos terem deixado eu ser demitida,
ninguém ter me defendido (vítima, sempre), e por ele ter sido demitido tão
pouco tempo depois.
Cinco meses de aperto, consegui um emprego fixo de novo
quando me chamam da firma antiga de novo, para fazer um job internacional mais
uma vez. Nem pensei duas vezes: pedi demissão, peguei minha única mala e fui
pro Rio. Prá mostrar o quanto eles estavam errados, virei muito caxiona: peguei
um outro job gigante, trabalhava que nem uma louca, ia acumulando funções e não
deixando a peteca cair. Resolvia vários pepinos durante o dia e ia embora com
uma sensação ótima, de que eu era boa profissional, que eu conseguia pensar em
tudo... e quem me conhece um pouquinho sabe que nunca sinto essa
auto-satisfação. Enfim... eu devia saber que algo de ruim estava por vir, porque comigo nunca tem almoço grátis mesmo e
sempre vem uma merda quando estou em paz. Pois foi isso que aconteceu: por
conta de um email que eu passei de maneira super precipitada, fui demitida.
Pela quinta vez. E doeu muito.
Doeu porque de novo foi na firma onde minha fama não estava
muito boa e eu estava fazendo de tudo para apagar qualquer resquício de
suspeita. Doeu porque foi para o cliente que eu mais gostava de trabalhar, que
tem os melhores projetos e para o qual eu fiz o melhor trabalho da minha vida.
Doeu porque estou longe da minha casa. E doeu, acima de tudo, porque agora não
tenho mais rede de segurança, não tenho dinheiro, preciso achar outro emprego
fixo para ontem e não tenho a menor perspectiva. Não faço idéia de onde
procurar, para que lado me mexer. Estou me sentindo péssima, mais uma vez,
angustiada, deprimida, a pior pessoa do mundo. Eu só queria conseguir dar
certo, ser uma pessoa convencional, cartesiana, com emprego, férias, fazer as
coisas que eu gosto. E nada disso acontece. Fico emperrada, sempre, tudo sempre
dá muito errado comigo, prá mim. E não culpo ninguém: eu sou a responsável pelo
que acontece na minha vida. Eu culpo a mim, à minha total incapacidade de lidar
com a vida, com o dia-a-dia, de me posicionar, de ser alguém.
Não sei o que fazer, mais uma vez. Só tenho mais certeza, a
cada dia que passa, que sou um completo desperdício de gás-carbônico. Não sei
mesmo qual é meu propósito aqui.
Odiar a você mesmo é o que há de mais cansativo. Te tira
todas as suas forças e te faz ser um caco de ser humano.
E eu me odeio muito.
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